Categoria: O Príncipe

O Príncipe: Estados Hereditários e Novos

Em O Príncipe, Maquiavel começou por separar os vários tipos de Estados: repúblicas ou principados. E, não se pronunciando sobre as repúblicas, acrescentou existir principados hereditários e os novos.

Os hereditários são aqueles “nos quais a estirpe do senhor exerceu durante muito tempo o domínio”, e os outros são os novos.

Maquiavel, disse ser muito mais fácil a um príncipe manter-se no poder dum principado hereditário que dum novo. No segundo capítulo lê-se que “nos Estados hereditários e habituados à estirpe do seu príncipe a dificuldade em os conservar é muito menor do que nos novos, (…) Se um príncipe tiver aptidão vulgar, manter-se-á sempre no seu Estado, [e se] expulso por força extraordinária e excessiva, regressará à mínima adversidade do ocupante.”

Prossegue falando dos Estados que são em parte hereditários e em parte novos: os Estados Mistos. Neste caso, as dificuldades para um príncipe eram semelhantes aos problemas relacionados com os Estados Novos. Aberto o precedente, ou já acostumados, a mudanças de nome no poder, os “homens mudam de bom grado de senhor, convencidos que vão encontrar melhor“, e, soma-se a isto a “impossibilidade de não ofender aqueles que se passa a governar como novo príncipe com uma enorme quantidade de humilhações inerentes a uma conquista“.

Maquiavel, nas páginas seguintes indica um conjunto de medidas que um príncipe deve ter em conta caso possua um principado misto. Se possível, enunciarei algumas delas em futuros posts.

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O Principe, de Nicolau Maquiavel

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Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O Príncipe em 1513. Vivia-se uma fase de transição do feudalismo para o capitalismo, o Renascimento. Em França e Espanha existia já o Estado-nação, mas em Itália permanecia ainda as cidades-Estado, que se encontravam em grande instabilidade política.

Interessado numa estabilização política e na unificação de Itália, o livro foi escrito como manual na arte de bem governar para a conquista e a manutenção do Poder por um chefe de Estado, e ofereceu-o a Lourenço de Médici – soberano de Florença.

O Príncipe distingue-se por ter sido a primeira obra que descreve a política como é, e não como deveria ser, ou por outras palavras, materialista e não idealista. A História é obra dos homens, e numa concepção laica, Maquiavel separa a moral religiosa da moral política, Deus e o Homem. Torna-se assim um dos primeiros cientistas políticos e um dos “pais” da ciência política.

Como estou a ler O Príncipe, sempre que me for possível, deixarei algumas notas aqui no blogue sobre o livro. Sintam-se à vontade para as comentar.
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Ligações:
O livro em html e pdf
Página da Wikipédia

Adenda

Importante ler na caixa de comentários o que Leandro Arndt escreveu.

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