O Principe, de Nicolau Maquiavel

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Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O Príncipe em 1513. Vivia-se uma fase de transição do feudalismo para o capitalismo, o Renascimento. Em França e Espanha existia já o Estado-nação, mas em Itália permanecia ainda as cidades-Estado, que se encontravam em grande instabilidade política.

Interessado numa estabilização política e na unificação de Itália, o livro foi escrito como manual na arte de bem governar para a conquista e a manutenção do Poder por um chefe de Estado, e ofereceu-o a Lourenço de Médici – soberano de Florença.

O Príncipe distingue-se por ter sido a primeira obra que descreve a política como é, e não como deveria ser, ou por outras palavras, materialista e não idealista. A História é obra dos homens, e numa concepção laica, Maquiavel separa a moral religiosa da moral política, Deus e o Homem. Torna-se assim um dos primeiros cientistas políticos e um dos “pais” da ciência política.

Como estou a ler O Príncipe, sempre que me for possível, deixarei algumas notas aqui no blogue sobre o livro. Sintam-se à vontade para as comentar.
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Ligações:
O livro em html e pdf
Página da Wikipédia

Adenda

Importante ler na caixa de comentários o que Leandro Arndt escreveu.

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7 pensamentos sobre “O Principe, de Nicolau Maquiavel

  1. O Príncipe é leitura obrigatória para quem quiser conhecer o poder político. Só discordo de duas coisas: a França e a Espanha, por mais que fossem Estado unificados em um território com língua e cultura comuns, não eram Estados-nação, pois não estavam vinculados à nacionalidade, mas à aristocracia. Além disso, o realismo maquiaveliano não elimina por completo o idealismo, embora seja certamente um grande passo rumo ao materialismo político. Boa leitura para você!

  2. Viva Bruno,

    Como te disse, li o Príncipe já há uns bons anos, na adolescência. Para comentar melhor, só lendo. Mas gostaria de deixar umas notas:

    1 – As transições para o capitalismo são múltiplas e não-lineares, sendo facto estabelecido que foi nas cidades-Estado italianas que em extensão primeiro se desenvolveram relações de produção capitalistas. A questão da nação na transição não é portanto directa; mas talvez deva ser vista em termos da realização do modo de produção anterior, o que permite entender melhor o seu desenvolvimento desigual. (Espero trazer esta reflexão ao blog a partir de um livro do Samir Amin.)

    2 – Essa de descrever “a história como é e não como deveria ser” lembra-me Hegel e o seu sistema da filosofia, que procura a compreensão do existente, sem pugnar pela sua mudança. Não me recordo com toda a certeza se Maquiavel funciona assim, mas diria que a sua abordagem é dialética sem ser materialista, como apontou o Leandro.

    Boa leitura!

  3. Maquiavel escreveu o príncipe não para recuperar um cargo público (como muitos pensam), mas para mostrar ao governante que o tirou dele, Lorenzo de Medice, que por ele era sabido como atuavam os príncipes e que o povo, se soubesse de tais formas de atuação, se rebelaria.
    Maquiavel queria levar a público sua insatisfação com o governante e escreveu o livro para mostrar que a Itália estava no momento perfeito para ascensão de um NOVO príncipe que soubesse governar. A dedicatória a Lorenzo foi apenas a maneira encontrada por Maquiavel para não ser enforcado (e deu certo): se o livro era dedicado a um príncipe, com certeza era uma grande obra, porém, como o intuito era ofender o governante e a forma de governo, a saída encontrada pelos príncipes europeus foi atrelar o gênio Nicolau ao demônio para que o povo não lesse suas obras.
    No capítulo XXVI do livro ele começa escrevendo: “Revendo agora tudo que disse anteriormente e pensando comigo mesmo se o momento presente seria favorável para que a Itália recebesse e honrasse um novo príncipe, e se fosse dada a oportunidade de estabelecer uma nova forma de governo a um homem sensato e virtuoso, que trouxesse a glória e a felicidade para o povo italiano, muitas condições se reuniriam para favorecer tal príncipe e, pelo que eu saiba, nenhuma época anterior foi mais favorável a tal mudança.”
    Quando ele diz ‘novo príncipe’, com certeza quer uma troca de governante. E quando diz: ‘oportunidade de estabelecer uma nova forma de governo’, se refere à República! Sim! Maquiavel era republicano e você aprendeu errado na escola. Uma prova disso é que a frase “os fins justificam os meios”, que seu professor de história atribuiu à ele, ele nunca disse.
    Deixe de lado tudo que aprendeu sobre esse gênio em suas aulas de história do ensino médio e leia O Príncipe. E se quer uma dica, leia primeiro o capítulo XXVI, porque assim será bem mais fácil a compreensão da obra e do objetivo de Maquiavel ao escrevê-la.

    1. Muito obrigado pelo seu comentário. É sem dúvida muito interessante.

      Mas faço notar que não foi aqui feita referencia se Maquiavel era ou não republicano. Pelo que se lê no livro, dá ideia que o é. E sim, ele nunca falou essa famosa frase de que “os fins justificam os meios”.

      A má notícia: acho que nunca dei Maquiavel na escola. Se foi falado, não me lembro. Penso que o ensino médio corresponda ao ensino básico (10/11 aos 15/16 anos) aqui em Portugal.

  4. Esse meu comentário não é uma crítica a análise feita, mas sim a minha análise da obra de Maquiavel.

    Exatamente por não ter sido feita a referência de que Maquiavel era republicano, achei pertinente fazê-la.

    E Bruno, o Ensino Médio brasileiro é de 15/16 à 18/19 anos. Após esse vem o Ensino Superior, a faculdade.

    1. Sim, suspeitei que não seria crítica à análise. Infelizmente na altura em que li o livro não tive disponibilidade para aprofundar melhor e aqui escrever mais sobre a obra. A análise de O Príncipe aqui no blog ficou demasiado pobre para o meu gosto. Por isso também, volto a agradecer o seu comentário.

      Aqui chamamos Ensino Secundário e é dos 15/16 aos 17/18. No meu “ramo” não tivemos História e o dado em Filosofia foi muito pobre. Talvez no “ramo” de Humanidades se debrucem na obra de Maquiavel, mas desconheço se o fazem.

      Obrigado.

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