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“Os objectivos (…) não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os”

«No papel é fácil escrever e ao microfone é fácil gritar: “chegou a hora do assalto final!” Para o assalto final, não basta escrever ou gritar. É preciso, além de condições objectivas, que exista uma força material, a força organizada, para se lançar ao assalto, ou seja, um exército político ligado às massas e as massas radicalizadas, dispostas e preparadas para a luta pelo poder, para a insurreição (…) Os radicais pequeno-burgueses são incapazes de compreender que os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os.»

Álvaro Cunhal, «O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista», 1970.

Para ler mais sobre este livro no blog, aqui.

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Verbalismo Pequeno-Burguês e Acção Revolucionária

Todas as concepções dos radicais pequeno-burgueses de fachada socialista acusam o afastamento da luta popular, a descrença na acção das massas, a incapacidade para o complexo trabalho revolucionário nas condições do fascismo, a carência de organização, a impaciência e desespero resultantes da falta de perspectiva.

(…)

Não se pode excluir que, em Portugal, o radicalismo pequeno-burguês venha também a ter os seus heróis. Mas, mesmo nesse caso, estes não resolveriam, nem poderiam resolver, os complexos problemas de uma revolução, que só a organização, a acção política, as lutas de massas, podem resolver.

(…)

O radicalismo pequeno-burguês vive da frase revolucionaria e ilude atrás desta a sua real incapacidade de organização e de acção.

«A frase revolucionária (escreveu Lenine) é a repetição das palavras de ordem revolucionárias sem ter em conta condições objectivas, as mudanças provocadas pelos mais recentes acontecimentos, a situação do momento. Palavras de ordem excelentes, que estimulam e embriagam, mas desprovidas de base sólida, tal a essência da frase revolucionária»

(Lénine. Oeuvres, t. 27, p 11).

(…)

Perdidos uns em pequenas aventuras, incapazes outros mesmo de tentá-las, todos se voltaram para a «teorização». (…) Como escreveu Lenine:

«esta tendência para substituir a acção pela discussão e o trabalho pelo falatório, (…) para empreender tudo sem levar nada ao seu termo, é um dos traços próprios das pessoas «instruídas», que não resultam de forma alguma de uma má natureza, menos ainda de más intenções, mas de todos os seus hábitos de vida, das suas condições de trabalho, da sua fadiga intelectual, da separação anormal entre o trabalho intelectual e o trabalho manual e assim sucessivamente»

(Lenine, Oeuvres, t. 26, p. 341)

São citações retiradas do final do livro no capítulo «Acção Revolucionária e Verbalismo». Elas ganham outra dimensão quando enquadradas com os capítulos anteriores. Estes revelam a inconsequência de vários movimentos radicais pequeno-burgueses durante o fascismo, e que perante o insucesso ficam-se remetidos ao verbalismo. Pode ficar-se a imaginar que no livro apenas se fala do radicalismo pequeno-burguês de forma negativa para a luta revolucionária, mas não. No entanto, da introdução retiro esta passagem dizendo assim:

A radicalização da pequena burguesia é um fenómeno positivo. (…) Traz ao movimento operário numerosos quadros revolucionários que, esclarecidos pelo marxismo-leninismo, compreendem o papel da classe operária, se integram na sua vanguarda e dedicam a vida à causa dos trabalhadores.

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Transcrições do livro de Álvaro Cunhal «O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista», escrito em 1970 e publicado no ano seguinte.