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Charles Darwin, o revolucionário relutante. – Comentário

O artigo «Charles Darwin, o revolucionário relutante» hoje publicado em Resistir.info foi há dias apresentado no blog «Cheira-me a Revolução!». No final do artigo traduzido deixamos um comentário que hoje nos parece pertinente aqui inserir, é o seguinte:

1 – O evolucionismo foi um marco na história da ciência que extravasou a pura discussão científica. A observação da Natureza e o espírito crítico e integrador de Darwin resultaram numa concepção dinâmica da vida, dos seres e da Terra; definiram-se novos vectores de investigação que, cheios de curiosidade e atentos à dialéctica da Natureza, procuraram colmatar os espaços em branco da história evolutiva. Muitas pegadas foram seguidas – e nem falámos ainda aqui da vertigem que foi a descoberta do DNA, verdadeira “prova do crime” da Evolução -, num processo de permanente desenvolvimento.

2 – Mas é emocionante testemunhar o paralelismo do pensamento marxista e deste salto revolucionário na ciência. Pelo seu conteúdo e pelas alterações que promoveu na luta ideológica: o confronto com as posições obscurantistas duma intervenção divina na criação. E este artigo ilustra bem a receptividade que Marx e Engels deram à obra de Darwin, sabendo despi-la do clima de dominação ideológica em que era exposta.

3 – Como este artigo procura demonstrar, o arrojo das ideias contidas na Origem levou Darwin a esconder as suas ideias e à contradição com a verdade científica. Talvez esperasse um tempo melhor para as expor em todo o seu alcance? Esta também poderá ser uma lição: as ideias que suscitem infidelidade à ideologia imposta poderão ser recalcadas pelo próprio indivíduo – a subjectividade agrilhoada.

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Existimos porque um grupo particular de peixes tinha uma anatomia de barbatanas peculiar, que se pôde transformar em pernas de seres terrestres; porque a terra nunca congelou completamente durante uma idade do gelo; porque uma espécie pequena e tenaz, vinda de Àfrica há cerca de um quarto de um milhão de anos, conseguiu, até hoje, sobreviver por todos os meios. Podemos desejar uma resposta mais “elevada” – mas nenhuma existe.

Stephen Jay Gould

Pois, mas a crença religiosa é obliquamente sorrateira. Durante séculos defendeu a geração divina, hoje apela a que se entenda a evolução, a hereditariedade genética como um desígnio de Deus. Que é desta que não é mentira, que a retirada da ignorância face ao avanço do conhecimento estancou; não deixa de haver nessas pessoas e instituições uma grande desfaçatez moral.

5 – Darwin foi o brilhante intérprete da ideia da Evolução, tomando de forma crítica os elementos que o seu tempo e ele, pessoalmente, haviam recolhido. Mas podia ter sido outra pessoa, como se relembra no artigo (Alfred Russel Wallace). A ideia estava madura para ser colhida. Ou por outra, a construção humana do saber é colectiva e múltipla.”

# Colectivo Leitura Capital

Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2)

Este post é a continuidade do anterior publicado.

A que se propõe?

O marxismo propõe-se a responder a questões relacionadas sobre natureza e humanidade, incluindo questões sobre:

  • A origem da energia ou movimento na natureza;
  • As razões pelas quais galáxias, sistema solar, planetas, animais e todos os reinos da natureza constantemente aumentar em quantidade;
  • A origem da vida, das espécies, da consciência e da mente;
  • A origem da ordem da sociedade e da sua direcção; e
  • O fim da história e do que pode ser parecido como tal.

Marx e Engels responde a todas estas questões, utilizando as três leis do movimento, ou seja, da dialéctica, descoberto pela primeira vez pelos filósofos gregos e, mais tarde, codificadas por Hegel. Essas três leis são descobertas no interior da Natureza em vez de ser sobreposta sobre ela.

A lei da unidade e conflito de opostos

Marx e Engels começou com a observação de que toda a existência é uma unidade de opostos. Por exemplo, a electricidade é caracterizada por uma carga negativa e positiva, e os átomos consistem em protões e electrões,  que estão unificados, mas  em última instância, são forças contraditórias. Os seres humanos através de introspecção descobrem que são uma unidade de qualidades opostas: masculinidade e feminilidade, egoísmo e altruísmo, humildade e orgulho, e assim por diante. A conclusão marxista sendo que tudo “contém duas reciprocidades, exclusivas e incompatíveis, mas no entanto, partes ou aspectos igualmente essenciais e indissociáveis”. O conceito base é que esta unidade dos opostos na natureza faz cada entidade ser-se auto-dinâmica, e proporciona este constante motivo para movimento e mudança. Esta ideia foi emprestado de Georg Wilhelm Hegel, que disse: “Contradição na natureza é a raiz de todo movimento e de toda a vida.”.

A Lei da Negação da Negação

A lei da negação foi criado para dar conta da tendência de natureza aumentar constantemente em quantidade todas as coisas. Marx e Engels demonstraram que as entidades tendem a negar-se, a fim de antecipar ou reproduzir uma maior quantidade. Isto significa que a natureza da oposição que gera conflitos, em cada elemento e lhes dá movimento tende também a negar a coisa em si. Este processo dinâmico de nascimento e destruição é o que provoca às entidades evoluir. Esta lei é comummente simplificada como o ciclo de tese, antítese, e síntese.

Na natureza, muitas vezes Engels citou o caso das sementes de cevada que, no seu processo natural, quando germinam negam-se produzindo uma planta; a planta cresce até o seu vencimento, por sua vez, e é por si só depois negada tendo muitas sementes de cevada. Assim, toda natureza está em constante expansão através de ciclos.

Em sociedade, temos o caso da classe. Por exemplo, a aristocracia foi negada pela burguesia; e de seguida a burguesia criou o proletariado que, um dia, lhes negará. Isto demonstra que o ciclo da negação da negação é eterno, já que a entidade gerada transporta consigo o seu próprio coveiro, ie, transporta consigo a sua própria negação.

A lei da passagem das mudanças quantitativas em qualitativas

Esta lei estabelece que o continuo desenvolvimento quantitativo resulta em “saltos” qualitativos, no qual uma forma ou entidade completamente nova é produzida. Isto é como o “desenvolvimento quantitativo torna-se mudança qualitativa”. Permite a reciprocidade, em que transformação de qualidade afecta a quantidade.

Esta teoria desenha muitos paralelismos com a teoria da Evolução. Filósofos marxistas concluíram que as entidades que, através de acúmulos quantitativos, são inerentemente capaz de “saltos” qualitativos. A lei demonstra que, durante um longo período de tempo, através de um processo de pequenas e quase irrelevantes acumulações, a natureza desenvolve perceptíveis mudanças de direcção.

Isto pode ser ilustrado pela erupção de um vulcão, que é causada por anos de criação de pressão. O vulcão pode já não ser uma montanha, mas quando esfria a sua lava tornar-se-á terras férteis onde anteriormente não havia nenhuma. Uma revolução que é causada por anos de tensões entre facções opostas na sociedade funciona como uma ilustração social. A lei também ocorre em sentido inverso, exemplificando:  através da introdução de melhores ferramentas agrícolas (mudança de qualidade), essas ferramentas irão ajudar no aumento do montante do que é produzido (alteração da quantidade).

As próximas inserções serão transcrições do Anti-Dürhing, constatando com vários exemplos estas leis na realidade.

Materialismo Dialéctico: uma introdução (1)

Este é o primeiro de dois posts com o objectivo de ajudar à introdução sobre o Materialismo Dialéctico. Para isso traduzi e adaptei o artigo correspondeste do Wikipédia. Eles serão úteis para melhor compreensão das inserções futuras sobre os capítulos «Quantidade e Qualidade» e «Negação da Negação» de Anti-Düring.

A origem do termo

Materialismo dialéctico foi cunhado em 1887 por Joseph Dietzgen, um socialista curtidor que correspondeu com Marx durante e após o fracasso da Revolução Alemã de 1848. O termo é casualmente mencionado em Frederish Engels de Kautsky, escrito no mesmo ano. Marx falou da “concepção materialista da história”, na qual posteriormente foi referida por Engels como “materialismo histórico” – não “materialismo dialéctico” – em a Dialéctica da Natureza, em 1883. Georgi Plekhanov, o pai do marxismo russo, depois introduziu o termo materialismo dialéctico na literatura marxista. O termo não foi acoplado pelo próprio Marx, e refere-se à combinação dialéctica e materialismo.

Materialismo dialéctico é a filosofia de Karl Marx que formulou ao tomar a dialéctica de Hegel e interliga-lo com o Materialismo de Feuerback, extraindo dai o conceito de progresso a partir do contraditório, interagindo forças chamadas de tese e antítese, culminando a determinado ponto lugar à síntese. Aplicando-a à história do desenvolvimento social, dela emanam essencialmente um conceito revolucionário de mudança social.

Sobre o idealismo dialéctico de Hegel

Materialismo dialéctico é essencialmente caracterizado pela tese de que a história é produto da luta de classes e segue o princípio geral da filosofia da história de Hegel, que é o desenvolvimento da tese em sua antítese, que é negada pela “Aufhebung” – que conserva a tese e antítese o ao mesmo tempo que a abole. (Aufheben – esta contradição explica as dificuldades do pensamento de Hegel).  A dialética hegeliana tem como objectivo explicar o crescimento e o desenvolvimento da história humana. Ele considerou que a Verdade era produto da história e atravessava por vários momentos, incluindo o momento do erro, como erro ou também como negatividade, é parte do desenvolvimento da verdade. O materialismo dialéctico de Marx considera, ao contrário do idealismo de Hegel, que a história não é produto do Espírito (Geist ou também Zeitgeist – o “Espírito do Tempo”), mas efeito material da luta de classes na sociedade. Teoricamente, portanto, tem as suas raízes na materialidade da existência social.

Aspectos do materialismo dialéctico

Materialismo dialéctico provém de dois importantes aspectos da filosofia de Marx. Uma delas é a sua transformação da compreensão idealista da dialética de Hegel em uma materialista, geralmente designado por ele ele como “pondo a dialéctica hegeliana de volta ao bom caminho”. O outro é a ideia nuclear de que “a história de toda sociedade existente até agora é a história das lutas classe” como se afirma no Manifesto Comunista, em 1848.

Marxismo é baseado na convicção científica de que tudo pode ser explicado unicamente pela Matéria. Este qualifica o marxismo como uma filosofia fundamentalmente materialista. De acordo com o materialismo, a matéria é explicação para o espaço, natureza, o homem, consciência psíquica, inteligência humana, sociedade, história e todos os outros aspectos da existência. Marxismo atribui a tarefa de saber toda a verdade para a ciência. Se ciência pode ficar a conhecer tudo sobre a Matéria, então ele pode ficar a conhecer a respeito de tudo. Conclusiva, a matéria é aceite como princípio e fim de toda realidade. A soberania da Matéria em determinar o curso da natureza é uma parte vital do pensamento marxista, e separa materialismo dialéctico do método dialéctico idealista de Hegel.

O próximo post, que concluirá esta introdução, será sobre as Leis da Dialéctica.