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A Igualdade

Há muito que iniciei a leitura do livro escolhido, mas fui-me desleixando quanto a publicar aqui algumas considerações acerca do lido. Deixei a responsabilidade do pontapé de saída para o Luiz que iniciou a leitura agora, coincidindo com surgimento da minha vontade em partilhar algumas das palavras de Engels.

Após ter lido já nove dos capítulos dedicados à Filosofia – e aproveito para os indicar:
I – Subdivisão, Apriorismo
II – Esquematização do Universo
III – Filosofia da natureza: O Tempo e o Espaço
IV – Filosofia da natureza: Cosmologia , Física, Química
V – Filosofia da natureza: O Mundo Orgânico
VI – Filosofia da natureza: O Mundo Orgânico (Conclusão)
VII – Moral e Direito: Verdades Eternas
VIII – Moral e Direito: A Igualdade
IX – Moral e Direito: Liberdade e Necessidade -,

confesso que nesta fase já não dedico muito do meu esforço a tentar compreender a “profundidade radical” da filosofia do Sr. Dürhing (é como ele próprio a intitulou!). Deixo tal esforço para a exposição de Engels sobre a sua doutrina e a respectiva refutação das ideias de Dürhing.

Alguma palavras sobre Dürhing…

No inicio deste capitulo Engels resume o método de Dühring desta forma:

Consiste ele em analisar um determinado grupo de objectos do conhecimento, em seus pretendidos elementos simples, aplicando a estes elementos uns tantos axiomas não menos simples, considerados evidentes pelo autor, para, em seguida, operar com os resultados assim obtidos. Do mesmo modo, os problemas encontrados no campo da vida social, “devem ser resolvidos, axiomaticamente, pela comparação com os diversos esquemas simples e fundamentais, exactamente como se se tratasse de simples… esquemas fundamentais das matemáticas”.

Mais sobre o seu método possuidor de uma profundidade radical, será provavelmente exposto em posts dedicados ao capitulo I. Onde Engels explica porque a matemática não é só por si, um método infalível na compreensão do Universo.

Engels ainda desenvolve escrevendo:

Na realidade, não é mais do que um novo rodeio do velho e favorito método ideológico, também chamado apriorístico, que consiste em estabelecer e provar as propriedades de um objecto, não partindo do próprio objecto, mas derivando-as do conceito que dele formamos. A primeira coisa a fazer, é converter o objecto num conceito desse objecto; em segundo lugar, não é preciso mais que inverter a ordem das coisas e medir o objecto pela sua imagem, o conceito.

E este método de tomar Conhecimento com a ajuda de axiomas matemáticos, que para o Sr. é um meio infalível de achar a verdade sobre a realidade que nos rodeia, ele obteria as verdades imutáveis e absolutas também relativamente à história, moral e ao direito.

E é assim que Dürhing, pretende concluir acerca da história, moral e o direito, partindo do conceito de sociedade, e não da realidade em que os homens vivem. Então, usa o seu método para tirar suas conclusões, decompondo a sociedade aos seus dois elementos mais simples: dois homens iguais. Assim, não só condenou a espécie humana à extinção ao se esquecer o género feminino, como ainda fez o primor de encontrar dois homens iguais para a sua análise axiomática!

Agora com Engels, e indo ao que realmente interessa

Agora, paro com o sarcasmo e a exposição dos inconsequentes métodos Dührinianos. Pois o que me impulsionou a escrever foi a brilhante exposição, que Engels fez sobre o desenvolvimento da Igualdade e da Liberdade ao longo de todo o processo histórico. É também uma exposição que apresenta aquilo que comummente chamamos de Materialismo Histórico, com todo o seu raciocínio dinâmico da sociedade.

Não resisto em fazer a citação integral de tal exposição realizada no capitulo oitavo:

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