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Marx e Moral – recensão de um texto II

Através de diversas citações, MDD toma posição quanto à avaliação moral que Marx faz da sociedade sua contemporânea (e tão próxima da nossa…): o sentido de justiça dominante emana das condições sociais de produção, como tal, as formas jurídicas que o suportam têm um conteúdo justo desde que corresponda ao modo de produção. É por isso que a escravatura e a contrafacção de mercadorias é injusta sob o capitalismo, mas não o é o roubo dos salários de um povo, através da especulação no mercado financeiro.

Na base do sistema de salários, o valor da força de trabalho é estabelecido como o de toda a outra mercadoria; e, como diferentes espécies de força de trabalho têm diferentes valores, ou requerem diferentes quantidades de trabalho para a sua produção, têm de alcançar diferentes preços no mercado de trabalho. Clamar por retribuição igual ou mesmo equitativa na base do sistema de salários é o mesmo do que clamar por liberdade na base do sistema de escravatura. O que pensais que é justo ou equitativo está fora de questão. A questão é: o que é que é necessário e inevitável com um dado sistema de produção? (Salário, preço e lucro)

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Marx e Moral – recensão de um texto I

Estive a ler esta comunicação de Manuel Dias Duarte (MDD) que se foca na (crítica da) Ética presente nos escritos de Karl Marx. Numa série de posts darei conta das questões levantadas e aproveitarei para meter a colherada num ou noutro ponto.

A tese de MDD é que Marx não trata de um projecto moralizante da sociedade e que, por isso, a sua abordagem é de crítica permanente da Ética e da Moral existente, em lugar de constituir uma ética marxista. Apoiando-se numa correcta distinção da Ética e da Moral na sociedade capitalista (a distância por vezes intransponível entre teoria e prática), MDD dá conta de como Marx questionava a perenidade atribuída aos princípios éticos e declarava a eticidade e a moralidade como formas ideológicas, isto é, ideias submetidas ao seu tempo e à acção humana.

Se construir o futuro e fazer planos definitivos para a eternidade não e o nosso ofício, o que pretendemos realizar no presente é evidente: pretendemos a crítica radical de toda a ordem existente, radical no sentido de que ela não tem medo dos seus próprios resultados, nem dos conflitos com as potências estabelecida. (Carta a Ruge, Setembro 1843) (mais…)