Etiqueta: dialéctica

Mercedes Sosa (1935-2009)

Todo Cambia

Cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no extraño

Cambia todo cambia…

Cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
por mas lejos que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana

Cambia todo cambia…

Pero no cambia mi amor…

Outras ligações:

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Capítulo: Dialéctica. Lei da Negação da Negação (2) – em Anti-Dühring

O Sr. Dühring achava a Dialéctica um absurdo, pois lhe era inaceitável que algo pudesse ter compreendido duas características opostas simultaneamente, e que uma delas pudesse resultar na negação da outra. Engels apoiando-se no trabalho desenvolvido por Marx em O Capital resume aquilo que Dühring classificara como «arabescos imaginativos».

Irei transcrever esse resumo, mas porque ele tem em si outros conceitos importantes para o marxismo, aproveitarei para apresentar uma muito breve referência a eles. Para isso coloco um trecho retirado do blog Anónimo do Séc XXI¹ onde se faz referência a esses conceitos: Forças Produtivas, Relações de Produção e Modo de Produção.

FP - Forças Produtivas;
FP - Forças Produtivas; R de P - Relações de Produção

Enquanto as forças produtivas (FP) se desenvolvem incessantemente, as relações de produção (RdeP) definem estádios ou patamares adequados às fases desse desenvolvimento, definindo modos de produção (MdeP), que começam a ser instáveis (a sofrer crises…) quando, face à continuidade do progresso nas forças produtivas, perdem adequabilidade e se criam situações de rotura, que podem ser remediadas, adiadas, que podem mesmo travar o desenvolvimento das FP, mas roturas que, inevitavelmente, virão a concretizar-se por passagem a novo patamar de RdeP e a novo MdeP.

Agora, penso que será muito mais rica a leitura do que se seguirá e, tal como fiz acima, coloco a negrito alguns termos para facilitar a preensão do texto. Passo a transcrever²:

Antes de advir a era capitalista, dominava, pelo menos na Inglaterra, a pequena indústria baseada na propriedade privada do operário sobre os meios de produção. A chamada acumulação primitiva do capital se caracterizou, nestas condições, pela expropriação desses produtores imediatos, isto é, pela abolição da propriedade privada, baseada no trabalho do próprio produtor. Efectivou-se tal coisa porque aquele regime de pequena indústria era compatível somente com as proporções limitadas e primitivas da produção e da sociedade, engendrando, tão logo os meios materiais de produção atingiram um certo grau de progresso, a sua própria destruição. Esta destruição, que consistiu na transformação dos meios individuais e dispersos de produção em meios de produção socialmente concentrados, constitui a pré-história do capital. A partir do momento em que os operários se transformam em proletários, em que as suas condições de trabalho passam a ter a forma de capital, a partir do instante em que o regime capitalista de produção começa a se mover por sua própria conta, a socialização do trabalho e a mudança do sistema de exploração da terra e dos demais meios de produção, e, portanto, a expropriação dos proprietários privados individuais, é preciso, para continuarem progredindo, que seja adoptada uma nova forma.

E continua, mas agora citando Marx directamente:

“Não se trata mais de expropriar o operário que produz por sua própria conta, mas o capitalista explorador de muitos operários. E essa nova expropriação se realiza pelo jogo das leis imanentes da própria produção capitalista, pela concentração dos capitais. Cada capitalista devora muitos outros. E, ao mesmo tempo em que alguns capitalistas expropriam a muitos outros, desenvolve-se, em grau cada vez mais elevado, a forma cooperativa do processo de trabalho, a aplicação técnica e consciente da ciência, sendo a terra cultivada mais metodicamente, os instrumentos de trabalho tendem a alcançar formas que são manejáveis unicamente pelo esforço combinado de muitos, economizam-se os meios da produção em sua totalidade, ao serem aplicados pela colectividade como meios de trabalho social, o mundo inteiro se vê envolvido na rede do mercado mundial, e, com isso, o regime capitalista passa a apresentar um carácter internacional cada vez mais acentuado. E, deste modo, enquanto vai diminuindo progressivamente o número dos magnatas do capital, que usurpam e monopolizam todas as vantagens desse processo de transformação, aumenta no pólo oposto, proporcionalmente, a pobreza, a opressão, a escravização, a degradação e a exploração. Mas, ao mesmo tempo, cresce a revolta da classe operária e esta se torna cada dia mais numerosa, mais disciplinada, mais unida e organizada pelo próprio método capitalista de produção. O monopólio capitalista transforma-se nas grilhetas do regime de produção que com ele e sob as suas normas floresceu. A concentração dos meios de produção e a socialização do trabalho chegam a um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu envolto capitalista, e o envolto se desagrega. Soou a hora final da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados.

Acho que se percebe porque hoje (quase) ninguém ouviu falar de Dühring, e pelo contrário, Marx e Engels são uma referência fundamental na nossas vidas.

Em Relação com a Actualidade

Com tudo isto, parece-me pertinente perguntar:

Não será a grave crise económica que vivemos um sintoma de que as relações de produção estão desadequadas às forças produtivas, e é cada vez mais urgente os expropriados se tornem agora nos novos expropriadores, construindo um mais adequado e avançado modo de produção?

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[1] de Sérgio Ribeiro; e trecho transcrito da etiqueta Materialismo Histórico, episódio 14.
[2] transcrição retirada de Capítulo XIII – Negação da Negação.
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Capítulo: Dialéctica. Lei da Negação da Negação (1) – em Anti-Dühring

Este post apresentará alguns exemplos da aplicação da Dialéctica expostos em Anti-Dühring. Para uma melhor compreensão sobre o tema, aconselho a (re)ler o post Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2). As transcrições[1] serão relativas à Lei da Negação da Negação.

No Reino Vegetal

Todos os dias, milhões de grãos de cevada são moídos, cozidos, e consumidos, na fabricação de cerveja. Mas, em circunstâncias normais e favoráveis, esse grão, plantado em terra fértil, sob a influencia do calor e da unidade, experimenta uma transformação específica: germina. Ao germinar, o grão, como grão, se extingue, é negado, destruído, e, em seu lugar, brota a planta, que, nascendo dele, é a sua negação. E qual é a marcha normal da vida dessa planta? A planta cresce, floresce, é fecundada e produz, finalmente, novos grãos de cevada, devendo, em seguida ao amadurecimento desses grãos, morrer, ser negada, e, por sua vez, ser destruída. E, como fruto desta negação da negação, temos outra vez o grão de cevada inicial, mas já não sozinho, porém ao lado de dez, vinte, trinta grãos.

Onde a frequência da repetição do fenómeno da negação é maior, é mais óbvia a observação do desenvolvimento preconizado pelo organismo.  Engels exemplifica

Se tratarmos a semente [duma dália ou orquídea] e a planta que dela brota, com os cuidados da arte da jardinagem, obteremos como resultado deste processo de negação da negação, não apenas novas sementes, mas sementes qualitativamente melhoradas, capazes de nos fornecer flores mais belas; cada repetição deste processo, cada nova negação da negação, representará um grau a mais nesta escala de aperfeiçoamento.

No Reino Animal

Engels dá aqui o exemplo das mariposas:

Nascem, estas, também, do ovo, por meio da negação do próprio ovo, destruindo-o, atravessando depois uma série de metamorfoses até chegar à maturidade sexual, se fecundam e morrem por um novo ato de negação, tão logo se consume o processo de procriação, que consiste em pôr a fêmea os seus numerosos ovos.

Assim, ele reforça com exemplos do reinos do mundo orgânico o fundamento da Lei da Negação da Negação.

Na Geologia

Toda a geologia não é mais que uma série de negações negadas, uma série de desmoronamentos de formações rochosas antigas, sobrepostas umas às outras, e de justaposição de novas formações. A sucessão começa porque a crosta terrestre primitiva, formada pelo resfriamento da massa fluida, vai-se fracionando pela ação das forças oceânicas, meteorológicas e químico-atmosféricas, formando-se, assim, massas estratificadas no fundo do mar. Ao emergir, em certos pontos, as matérias do fundo do mar à superfície das águas, parte destas estratificações se vêm submetidas novamente à ação da chuva, às mudanças térmicas das estações, à ação do hidrogênio e dos ácidos carbônicos da atmosfera; e a essas mesmas influências se acham expostas as massas pétreas fundidas e logo depois esfriadas que, brotando do seio da terra, perfuram a crosta terrestre. Durante milhares de séculos vão se formando, dessa forma, novas e novas camadas que, por sua vez, são novamente destruídas em sua maior parte e, algumas vezes, são utilizadas como matéria para a formação de outras novas camadas.

Na Matemática

Tomemos uma qualquer grandeza algébrica, por exemplo a. Se a negarmos, teremos -a (menos a). Se negarmos esta negação, multiplicando -a por -a, teremos +a2, isto é, a grandeza positiva da qual partimos, mas num grau superior elevada à segunda potência. Mas aqui não nos interessa que a este resultado (a2) se possa chegar multiplicando a grandeza positiva a por si mesma, pois a negação negada é algo que se acha tão arraigado na grandeza a2, que esta encerra, sempre e de qualquer modo, duas raízes quadradas, a saber: a do a e a do -a. E esta impossibilidade de nos desprendermos da negação negada, da raiz negativa contida no quadrado, toma, nas equações dos quadrados, um carácter de evidência marcante.

Agora um exemplo em calculo diferencial:

Começamos, então, por diferenciar as duas grandezas, x e y isto é, por supor que são tão infinitamente pequenas que desaparecem, comparadas com qualquer outra grandeza real, por pequena que seja, não restando, portanto, de x e y nada mais que sua razão ou proporção, despojada, por assim dizer, de toda a base material, reduzida a uma relação quantitativa da qual se eliminou a quantidade dy/dx, isto é, a razão ou proporção das duas diferenciais de x e y, se reduz, portanto, a 0/0, mas esta fórmula – nada mais é que a expressão da fórmula y/x. (…) Mas o que se fez senão negar x e y, negar, como a metafísica que omite e prescinde do que nega, senão negar de modo conforme com o caso presente? Substituímos as grandezas x e y pela sua negação, chegando, assim, em nossas fórmulas ou equações a dx e dy. Isso feito, seguimos nossos cálculos operando com dx e dy como grandezas reais, embora sujeitas a certas leis de exceção e ao chegar a um determinado momento, negamos a negação, isto é, integramos a fórmula diferencial, obtendo novamente, em vez de dx e dy, as grandezas reais x e y. E, ao fazê-lo, não tornaremos a nos encontrar no ponto do qual partimos, mas teremos resolvido o problema contra o qual se debateram, em vão, por outros caminhos, a geometria e a álgebra elementares.

Na Filosofia

A filosofia antiga era uma filosofia materialista, porém primitiva e rudimentar. Esse materialismo não seria capaz de explicar claramente as relações entre o pensamento e a matéria. A necessidade de se chegar a conclusões claras a respeito desse problema, levou à criação da teoria de uma alma separada do corpo e logo depois se passou à afirmação da imortalidade da alma e, por fim, ao monoteísmo. Desse modo, o materialismo primitivo se via negado pelo idealismo. Mas, com o desenvolvimento da filosofia, também o idealismo se tornou insustentável e, por sua vez, teve de ser negado pelo materialismo moderno. Este não é, entretanto, como negação da negação, a mera restauração do materialismo primitivo, mas, pelo contrário, corresponde à incorporação, às bases permanentes deste sistema, de todo o conjunto de pensamentos, que nos provêm de dois milênios de progressos no campo da filosofia e das ciências naturais e da história mesma destes dois milênios. Não se trata já de uma filosofia, mas de uma simples concepção do mundo, de um modo de ver as coisas, que não é levado à conta de uma ciência da ciência, de uma ciência à parte, mas que tem, pelo contrário, a sua sede e o seu campo de ação em todas elas. Vemos, pois, como a filosofia é, desse modo,”cancelada”, isto é,”superada ao mesmo tempo que mantida”; superada, com relação à sua forma; conservada, quanto ao seu conteúdo.

O próximo post continuará com mais dois exemplos da Negação da Negação, onde em ambos, o desenvolvimento das forças produtivas tem um papel directo.

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[1] Todas as transcrições foram retiradas de Capítulo XIII – Negação da Negação.
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Capítulo: Dialéctica – em Anti-Dühring (2)

Este post apresentará alguns exemplos da aplicação da Dialéctica. Para uma melhor compreensão sobre o tema, aconselho a (re)ler o post Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2). As transcrições serão relativas à lei das mudanças quantitativas em qualitativas.

É preciso um determinado valor de troca para se converter em capital

Engels cita Marx:

“nem toda a soma de dinheiro ou de valor, qualquer que seja, pode ser convertida em capital, sem que esta transformação suponha antes, a existência de um determinado mínimo de dinheiro ou de valor de troca nas mãos do possuidor de dinheiro, ou de mercadorias.”

E de seguida explica o exemplo dado por este:

Num ramo qualquer de trabalho, o operário trabalha para si mesmo 8 horas diárias, ou seja, para criar o valor de seu salário, trabalhando outras 4 horas para o capitalista a fim de produzir a mais-valia que vai então para os seus bolsos. Para isso, deve, necessariamente, existir alguém que disponha de uma soma de valor que lhe permita fornecer aos operários matérias-primas, meios de trabalho e salários, do modo a poder embolsar, todos os dias, a mais-valia necessária para poder viver, pelo menos, tão bem como dois de seus operários.

Mas como a produção capitalista não tem como objectivo simplesmente o de viver e se sustentar, mas também, o de incrementar a riqueza, não será suficiente que o nosso empresário tenha esses elementos, para que, utilizando os seus dois operários, seja um verdadeiro capitalista. Para poder viver duas vezes melhor do que um operário comum e para voltar a transformar em capital, a metade da mais-valia produzida, deveria dar trabalho a oito operários, possuindo portanto, quatro vezes a soma de valor de que tiveram necessidade para sustentar dois trabalhadores.

Estado Sólido, Líquido e Gasoso

[A] transformação dos estados da agregação da água que, sob a pressão normal do ar, ao chegar a 0 ºC, se converte de um corpo líquido em corpo sólido e aos 100º, de líquido em gasoso, caso esse que demonstra como, ao alcançar esses dois pontos decisivos, uma simples mudança quantitativa de temperatura provoca uma transformação qualitativa do corpo.

Mais exemplos na Química

Das séries homólogas de combinações de carbono, muitas das quais já são conhecidas [1], cada uma delas tendo a sua própria forma algébrica sintética. Assim, pois, Se, do mesmo modo que os químicos, chamarmos um, átomo de carbono de C, um átomo de hidrogênio de H um átomo de oxigênio de O e por n o número dos átomos de carbono encerrados em cada combinação, podemos expor as fórmulas moleculares de algumas dessas séries, do seguinte modo:

Série da parafina normal: CnH2n+2
Série de alcooes primários: CnH2n+20
Série dos ácidos graxos monobásicos: CnH2n O2.

Se tomarmos como exemplo a última dessas séries e adotarmos, sucessivamente, n=1, n=2, n=3, etc., teremos os seguintes resultados (deixando de pôr os isómeros):

ácido fôrmico – CH2O2 – ponto de ebulição: 100 º – ponto de fusão: 1.º
ácido acético – C2H4O2 – ponto de ebulição: 118º – ponto de fusão: 17.º
ácido propriônico – C3H6O2 – ponto de ebulição: 140º – ponto de fusão: –
ácido butirico – C4H8O2 – ponto de ebulição: 162º – ponto de fusão: –
ácido valeriânico – C2H10O2 – ponto de ebulição: 175º – ponto de fusão: –

e assim sucessivamente, até chegar ao ácido melíssico (C30H60O2) que não se funde até os 80º e não tem ponto de ebulição pela simples razão de que esse ácido se decompõe ao se evaporar.

Temos, pois, aqui, toda uma série de corpos qualitativamente distintos, formados pela simples adição quantitativa de elementos que são, além do mais, agregados sempre na mesma proporção. Esse fenômeno ainda se torna mais claro quando todos os elementos, que entram na composição, variam na mesma proporção e na mesma quantidade, como acontece com a série das parafinas normais (CnH2n+2). A primeira fórmula é o metano (CH4) que é um gás; a fórmula mais elevada que se conhece é o hecdecano (C16H34), corpo sólido formado por cristais incolores, que se funde a 21º, e que só atinge o seu ponto de ebulição a 278º. Em ambas as séries basta acrescentar CH2 ou seja, um átomo de carbono e dois de hidrogênio, à fórmula molecular do membro anterior da série, para que se tenha um corpo novo; donde se conclui que uma mudança puramente quantitativa da fórmula molecular faz surgir um corpo qualitativamente diferente.

Testemunho de Napoleão

Este é um exemplo curioso! Diz Engels:

Para terminar este capítulo vamos dar um testemunho final a favor da mudança da quantidade em qualidade: o testemunho de Napoleão. Napoleão descreve o combate travado entre a cavalaria francesa, cujos soldados eram pouco afeitos à equitação, mas que eram, no entanto, disciplinados, e os mamelucos, cuja cavalaria era a melhor do seu tempo para os combates individuais, mas que eram indisciplinados. Eis o que nos diz Napoleão:

“Dois mamelucos sobrepujavam, indiscutivelmente, a três franceses; 100 mamelucos faziam frente a 100 franceses; 300 franceses venciam 300 mamelucos e 1.000 franceses derrotavam, inevitavelmente, 1.500 mamelucos”.

Da mesma forma que, em Marx, a soma do valor de troca tinha que alcançar um limite mínimo determinado, embora variável, para se converter em capital, vemos que, na descrição napoleônica, o destacamento de cavalaria tem que alcançar um determinado limite mínimo para que a força da disciplina que se encerra na ordem unida de combate, e no emprego das forças, com base num só plano, possa se manifestar e se desenvolver até o ponto de poder aniquilar massas numericamente superiores de uma cavalaria irregular, composta de melhores montarias e de soldados tão bravos pelo menos quanto os outros.

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[1] Anti-Dühring é de 1877…

Capítulo: Dialéctica – em Anti-Dühring

Este post apresentará alguns exemplos da aplicação da Dialéctica. Para uma melhor compreensão sobre o tema, aconselho a (re)ler o post Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2).

O capítulo Dialéctica: Quantidade e Qualidade, começa com a perspectiva de Dühring sobre a Dialéctica. Engels resume numa frase essa perspectiva: “a contradição é o absurdo e que, portanto, não pode se dar no mundo da realidade.”. Refutando esta perspectiva, Engels parte – entre outras considerações – para uma série de exemplos onde demonstra a Dialéctica.

Na Matemática

…o cálculo diferencial (…) equipara, em certas circunstâncias, as rectas às curvas

E uma pequena frase bastou para refutar a tese de Dürhing. Que mal estariam os matemáticos se tivessem o bom senso de Dühring!

O Movimento

O próprio movimento, por si mesmo, é uma contradição; o deslocamento mecânico de um lugar para outro somente pode ser realizado por estar um corpo, ao mesmo tempo, no mesmo instante, num e noutro lugar; e também pelo fato de estar e não estar o corpo ao mesmo tempo no mesmo local. A sucessão continua de contradições desse género, ao mesmo tempo formadas e solucionadas, é precisamente o que constitui o movimento.

E, se o simples movimento mecânico, a simples mudança de um para outro lugar, contém uma contradição, suponha-se então a série de contradições que estarão contidas nas formas superiores de movimento da matéria:

Na Vida

…a vida consiste, precisamente, essencialmente, em que um ser é, no mesmo instante, ele mesmo e outro. A vida não é, pois, por si mesma, mais que uma contradição encerrada nas coisas e nos fenômenos, e que se está produzindo e resolvendo incessantemente: ao cessar a contradição, cessa a vida e sobrevem a morte.

No Pensamento

…no domínio do pensamento, não podemos escapar às contradições e que, por exemplo, a contradição entre a faculdade humana de conhecer, interiormente infinita, e a sua existência real nos homens que são exteriormente limitados e cujo conhecimento é limitado, resolve-se na série de gerações, serie que para nós, não tem praticamente fim – pelo menos num infinito progresso.

Na Matemática (mais uma vez)

Uma outra contradição das matemáticas superiores é a que se observa quando se cruzam duas linhas; estas, na distância de cinco ou seis centímetros do ponto de intersecção, se tornam linhas paralelas, que, por mais que se prolonguem, até o infinito, não se hão de encontrar.

Terminemos, por agora, com estas últimas considerações de Engels:

Não nos é necessário, todavia, sair dos quadros limitados destas matemáticas inferiores, para encontrar contradições em todos os terrenos. Não há uma contradição, por acaso, no fato de que uma raiz de A seja uma potência de A, e ainda que A½ = √A? Não há uma contradição no facto de que uma grandeza negativa não possa ser o quadrado de nenhuma outra, embora toda grandeza negativa multiplicada por si mesma dê um quadrado positivo? A raiz quadrada de menos um (-1) é, pois, não somente uma contradição, mas simplesmente uma contradição absurda, um verdadeiro contra-senso. Entretanto, é, em muitos casos, o resultado necessário de uma operação matemática exacta; e mesmo, onde estariam as matemáticas, tanto as elementares como as superiores, se lhes fosse proibido operar com a raiz quadrada de menos um?

As duas versões que possuo do livro são traduções que deixam muito a desejar, sendo por vezes quase impossível perceber o que deveriam ter escrito. Com a ajuda desta versão em inglês, e com os conhecimentos em matemática que tenho, julgo ter melhorado as traduções acima citadas. Não dominando os conceitos acima transcritos, agradeço a quem tenha correcções ou algo mais a acrescentar.

Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2)

Este post é a continuidade do anterior publicado.

A que se propõe?

O marxismo propõe-se a responder a questões relacionadas sobre natureza e humanidade, incluindo questões sobre:

  • A origem da energia ou movimento na natureza;
  • As razões pelas quais galáxias, sistema solar, planetas, animais e todos os reinos da natureza constantemente aumentar em quantidade;
  • A origem da vida, das espécies, da consciência e da mente;
  • A origem da ordem da sociedade e da sua direcção; e
  • O fim da história e do que pode ser parecido como tal.

Marx e Engels responde a todas estas questões, utilizando as três leis do movimento, ou seja, da dialéctica, descoberto pela primeira vez pelos filósofos gregos e, mais tarde, codificadas por Hegel. Essas três leis são descobertas no interior da Natureza em vez de ser sobreposta sobre ela.

A lei da unidade e conflito de opostos

Marx e Engels começou com a observação de que toda a existência é uma unidade de opostos. Por exemplo, a electricidade é caracterizada por uma carga negativa e positiva, e os átomos consistem em protões e electrões,  que estão unificados, mas  em última instância, são forças contraditórias. Os seres humanos através de introspecção descobrem que são uma unidade de qualidades opostas: masculinidade e feminilidade, egoísmo e altruísmo, humildade e orgulho, e assim por diante. A conclusão marxista sendo que tudo “contém duas reciprocidades, exclusivas e incompatíveis, mas no entanto, partes ou aspectos igualmente essenciais e indissociáveis”. O conceito base é que esta unidade dos opostos na natureza faz cada entidade ser-se auto-dinâmica, e proporciona este constante motivo para movimento e mudança. Esta ideia foi emprestado de Georg Wilhelm Hegel, que disse: “Contradição na natureza é a raiz de todo movimento e de toda a vida.”.

A Lei da Negação da Negação

A lei da negação foi criado para dar conta da tendência de natureza aumentar constantemente em quantidade todas as coisas. Marx e Engels demonstraram que as entidades tendem a negar-se, a fim de antecipar ou reproduzir uma maior quantidade. Isto significa que a natureza da oposição que gera conflitos, em cada elemento e lhes dá movimento tende também a negar a coisa em si. Este processo dinâmico de nascimento e destruição é o que provoca às entidades evoluir. Esta lei é comummente simplificada como o ciclo de tese, antítese, e síntese.

Na natureza, muitas vezes Engels citou o caso das sementes de cevada que, no seu processo natural, quando germinam negam-se produzindo uma planta; a planta cresce até o seu vencimento, por sua vez, e é por si só depois negada tendo muitas sementes de cevada. Assim, toda natureza está em constante expansão através de ciclos.

Em sociedade, temos o caso da classe. Por exemplo, a aristocracia foi negada pela burguesia; e de seguida a burguesia criou o proletariado que, um dia, lhes negará. Isto demonstra que o ciclo da negação da negação é eterno, já que a entidade gerada transporta consigo o seu próprio coveiro, ie, transporta consigo a sua própria negação.

A lei da passagem das mudanças quantitativas em qualitativas

Esta lei estabelece que o continuo desenvolvimento quantitativo resulta em “saltos” qualitativos, no qual uma forma ou entidade completamente nova é produzida. Isto é como o “desenvolvimento quantitativo torna-se mudança qualitativa”. Permite a reciprocidade, em que transformação de qualidade afecta a quantidade.

Esta teoria desenha muitos paralelismos com a teoria da Evolução. Filósofos marxistas concluíram que as entidades que, através de acúmulos quantitativos, são inerentemente capaz de “saltos” qualitativos. A lei demonstra que, durante um longo período de tempo, através de um processo de pequenas e quase irrelevantes acumulações, a natureza desenvolve perceptíveis mudanças de direcção.

Isto pode ser ilustrado pela erupção de um vulcão, que é causada por anos de criação de pressão. O vulcão pode já não ser uma montanha, mas quando esfria a sua lava tornar-se-á terras férteis onde anteriormente não havia nenhuma. Uma revolução que é causada por anos de tensões entre facções opostas na sociedade funciona como uma ilustração social. A lei também ocorre em sentido inverso, exemplificando:  através da introdução de melhores ferramentas agrícolas (mudança de qualidade), essas ferramentas irão ajudar no aumento do montante do que é produzido (alteração da quantidade).

As próximas inserções serão transcrições do Anti-Dürhing, constatando com vários exemplos estas leis na realidade.

A Igualdade

Há muito que iniciei a leitura do livro escolhido, mas fui-me desleixando quanto a publicar aqui algumas considerações acerca do lido. Deixei a responsabilidade do pontapé de saída para o Luiz que iniciou a leitura agora, coincidindo com surgimento da minha vontade em partilhar algumas das palavras de Engels.

Após ter lido já nove dos capítulos dedicados à Filosofia – e aproveito para os indicar:
I – Subdivisão, Apriorismo
II – Esquematização do Universo
III – Filosofia da natureza: O Tempo e o Espaço
IV – Filosofia da natureza: Cosmologia , Física, Química
V – Filosofia da natureza: O Mundo Orgânico
VI – Filosofia da natureza: O Mundo Orgânico (Conclusão)
VII – Moral e Direito: Verdades Eternas
VIII – Moral e Direito: A Igualdade
IX – Moral e Direito: Liberdade e Necessidade -,

confesso que nesta fase já não dedico muito do meu esforço a tentar compreender a “profundidade radical” da filosofia do Sr. Dürhing (é como ele próprio a intitulou!). Deixo tal esforço para a exposição de Engels sobre a sua doutrina e a respectiva refutação das ideias de Dürhing.

Alguma palavras sobre Dürhing…

No inicio deste capitulo Engels resume o método de Dühring desta forma:

Consiste ele em analisar um determinado grupo de objectos do conhecimento, em seus pretendidos elementos simples, aplicando a estes elementos uns tantos axiomas não menos simples, considerados evidentes pelo autor, para, em seguida, operar com os resultados assim obtidos. Do mesmo modo, os problemas encontrados no campo da vida social, “devem ser resolvidos, axiomaticamente, pela comparação com os diversos esquemas simples e fundamentais, exactamente como se se tratasse de simples… esquemas fundamentais das matemáticas”.

Mais sobre o seu método possuidor de uma profundidade radical, será provavelmente exposto em posts dedicados ao capitulo I. Onde Engels explica porque a matemática não é só por si, um método infalível na compreensão do Universo.

Engels ainda desenvolve escrevendo:

Na realidade, não é mais do que um novo rodeio do velho e favorito método ideológico, também chamado apriorístico, que consiste em estabelecer e provar as propriedades de um objecto, não partindo do próprio objecto, mas derivando-as do conceito que dele formamos. A primeira coisa a fazer, é converter o objecto num conceito desse objecto; em segundo lugar, não é preciso mais que inverter a ordem das coisas e medir o objecto pela sua imagem, o conceito.

E este método de tomar Conhecimento com a ajuda de axiomas matemáticos, que para o Sr. é um meio infalível de achar a verdade sobre a realidade que nos rodeia, ele obteria as verdades imutáveis e absolutas também relativamente à história, moral e ao direito.

E é assim que Dürhing, pretende concluir acerca da história, moral e o direito, partindo do conceito de sociedade, e não da realidade em que os homens vivem. Então, usa o seu método para tirar suas conclusões, decompondo a sociedade aos seus dois elementos mais simples: dois homens iguais. Assim, não só condenou a espécie humana à extinção ao se esquecer o género feminino, como ainda fez o primor de encontrar dois homens iguais para a sua análise axiomática!

Agora com Engels, e indo ao que realmente interessa

Agora, paro com o sarcasmo e a exposição dos inconsequentes métodos Dührinianos. Pois o que me impulsionou a escrever foi a brilhante exposição, que Engels fez sobre o desenvolvimento da Igualdade e da Liberdade ao longo de todo o processo histórico. É também uma exposição que apresenta aquilo que comummente chamamos de Materialismo Histórico, com todo o seu raciocínio dinâmico da sociedade.

Não resisto em fazer a citação integral de tal exposição realizada no capitulo oitavo:

(mais…)