Uma das grandes dificuldades que obstam a uma postagem mais regular é a digitalização dos textos que leio. Custa-me muito espalmar livros num scanner e ainda ter de corrigir os erros do software de reconhecimento de caracteres.

Ora, isto para introduzir a iniciativa do PCP de divulgar a obra de Cunhal, disponibilizando em formato digital o ensaio “O Partido com Paredes de Vidro”. Trata-se de uma reflexão muito acutilante e que, pelos aspectos morais que levantei no último post, teria muito gosto em trazer aqui ao blog.

Fica aqui um apontamento, que me ocorre várias vezes relativamente ao nosso blog:

Um dos aspectos mais correntes desse espírito dogmático é a sacralização dos textos dos mestres do comunismo, a substituição da análise das situações e dos fenómenos pela transcrição sistemática e avassaladora dos textos clássicos como respostas que só a análise actual pode permitir. Com tais critérios dir-se-ia que alguns colocam como tarefa, não aprender com os clássicos para explicar e transformar o mundo mas citar o mundo para provar a omnisciência dos clássicos.

O estudo dos textos não dispensa o estudo da vida. A teoria surge da prática e vale para a prática. É na prática que se pode tornar uma força material.

Cunhal refere-se aqui à “cristalização de princípios e conceitos”, entendida como uma aceitação acrítica dos clássicos do marxismo-leninismo e a fuga ao confronto com a realidade. Não me parece descabido relembrar esta advertência de Cunhal e este incitamento ao “estudo da vida” num momento em que alguns parecem relegar os comunistas a uma idolatria bacoca (confira-se a crítica de Vítor Dias).

Não creio que estejamos a cair nessa tentação, uma vez que comentamos e investigamos a situação política e social presente; desejo que o pendor mais “literário” do nosso blog não seja tido como um chorrilho de abstracções e relembro que foi a forma que encontrámos de partilhar alguns textos que vamos descobrindo – e que nos entusiasmam a agirmos de uma forma mais consciente e emancipadora.

Que inspiram como Cunhal.

Um pensamento sobre “

  1. Há tempos li uma frase que era mais ou menos assim:

    “O que importa não são os livros que lemos, mas interpretar o Mundo.”

    Já agora: interpretar e transforma-lo.

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