Quando se cede à chantagem o chantagista aumenta a parada

Para ir o mais direito possível à intervenção política, vem aqui uma intervenção muito simples do Bernardino Soares na Assembleia da República acerca da imposição de sacrifícios ao povo português.

Há dois movimentos que me ocorreu assinalar:

  • A democracia encontra-se refém de agências de classificação da capacidade financeira dos Estados. Que servem, no fundo, os interesses dos que particpam no mercado que pretendem regular: o capital financeiro.
    Na verdade, muitas vezes falamos que para os progressistas a democracia não se esgota nas instituições para as quais há eleições de 4 em 4 anos. Há a luta dos trabalhadores e das populações por melhores condições de vida, luta que sendo participada e maciça tem o condão de fazer recuar (mesmo que temporariamente) os avanços da política de direita. Pois calha bem assinalar que também para os nossos inimigos políticos o governo do Estado não se cinge aos órgãos democraticamente eleitos. Joga-se essencialmente nos limites que existam à acumulação de capital.

É ou não verdade que as medidas restritivas anunciadas não vão ter nenhum eleito nos mercados, como não tiveram na Grécia que anuncia cortes, sobre cortes, e vê a sua dívida cada vez mais onerosa como desejam os especuladores?
Quando se cede à chantagem o chantagista aumenta a parada. Na verdade este capital financeiro está sedento de instabilidade para impor aos Estados juros altos.

  • Quando esses limites são ultrapassados, é porque o outro lado cede. E verificamos a degradação dos salários e dos direitos sociais. Ou seja, pioram as condições em que se vende a força de trabalho, aumenta a exploração.

Todas as medidas anunciadas são contra os mesmos de sempre. São contra as prestações sociais, contra os salários, contra os desempregados. Com um enorme desplante a Ministra do Trabalho repetiu ontem o que o Presidente da CIP tinha dito há dois dias atrás. Que é preciso apertar o subsídio de desemprego para obrigar os desempregados a regressar ao mercado de trabalho. Mas onde estão os empregos para eles ocuparem. Já se percebeu que o que patrões, Governo e PSD querem é progressivamente diminuir os salários, aumentando a exploração e a precariedade.

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