Os sindicatos “livres”

Gosto bastante do programa “Questões de Moral” na Antena 2, uma espécie de monólogo sardónico entrecortado por umas árias a gosto. Nas últimas semanas o tema tem sido a máfia italo-(norte-)americana, com as suas ligações à indústria do cinema em particular.

Ainda está disponível o podcast de 15 de Março, intitulado “Os imitadores de Capone e os Sindicatos Livres”, cuja audição aconselho vivamente. Nele se relata como nos anos 30 os estúdios de Hollywood recorreram às máfias para quebrar a unidade dos trabalhadores: a máfia tomou conta de sindicatos, que dessa forma se tornaram o único interlocutor reconhecido pelo patronato. Através de discriminações salariais, de negação de emprego, mas também de violência e parasitismo, os sindicatos dos patrões e da máfia acabaram por se tornar dominantes. Interessantemente, os mafiosos ganharam um tal poder sobre a força de trabalho disponível, que impuseram posteriormente tributações à indústria…

Por cá, podemos ler no Avante! desta semana o papel colaboracionista dos sindicatos “livres”, neste caso na SPdH:

O representante dos trabalhadores também recordou como, «em 2007, a administração pretendeu aumentar os salários e as remunerações unicamente aos trabalhadores afectos ao sindicato da UGT, e congelar os rendimento de todos os outros, provocando uma enorme divisão que só a luta organizada conseguiu conter». Fernando Henriques recordou a força da greve cumprida naquele ano contra esta discriminação.

De igual forma, tem dado algum brado a confissão de um ex-director de recursos humanos da Autoeuropa acerca da manipulação das eleições para a constituição da CT em 1994. Estando esclarecido que o actual coordenador da CT era oponente da lista “livre”, cabe notar a desfaçatez com que o capital procura de facto intervir nas organizações dos trabalhadores e a existência de trabalhadores “mafiosos” sempre disponíveis para o efeito.

Que estes casos sirvam para consciencializar que a democracia não pode ser incompleta e parar à porta das empresas!

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