Anotações pessoais sobre a Crise Sistémica Global

Era ainda inícios de 2007 quando fui prevenindo as pessoas que me são próximas da aproximação de uma provável grande depressão económica.

Não sendo economista, sendo péssimas as notícias que transmitia, e sendo elas contrárias ao que os média e políticos do sistema diziam, poucos me deram a atenção devida. Para essas pessoas a que preveni de tal situação, não havia evidências de que eu pudesse ter razão, e a vida parecia-lhes correr como de costume.

Injecções de capital pelo BCE de 2000 até Março de 2008

A desinformação em que as pessoas no geral estão foi notória quando desde Fevereiro  fazia referencia à nacionalização no Reino Unido de um grande banco como sinal da crise, quando fazia referencia a enormes injecções de capital no sistema financeiro, e elas nada sabiam. Essa desinformação continua, permanecendo a ocultação das futuras consequências da crise. E a procissão ainda vai no adro.

Agora, que já não dava para ocultar o que “já” é público, e não há dia na media em que não se referencie acontecimentos relacionados com a crise, as nacionalizações (dos prejuízos) e as enormes injecções de capital já não são novidade. As mesmas pessoas que preveni, tomaram consciência que tinha razão, e agora frequentemente perguntam a minha opinião!

Não sou economista. Então como fui capaz de prevenir, os meus próximos, com dados tão certeiros das consequências e timings desta crise? Apenas me informei através de media alternativa, e sobre esta matéria foi de elevado interesse e importância os relatórios publicados em Resistir.info do GEAB.

Sei que a maioria passará à frente dos links acima colocados, mas recomendo que leiam sem falta o mais recente relatório público do GEAB, que transcrevo o início:

O LEAP/E2020 prevê que em Março de 2009 a crise sistémica global venha a experimentar um novo ponto de inflexão de uma importância análoga ao de Setembro de 2008. Nossa equipe considera com efeito que este período do ano de 2009 será caracterizado por uma tomada de consciência geral da existência de três importantes processos desestabilizadores da economia mundial, a saber:

1. A tomada de consciência da longa duração da crise
2. A explosão do desemprego no mundo inteiro
3. O risco do colapso brutal do conjunto dos sistema de pensão por capitalização.

inicio do relatório público do GEAB

Esta crise foi prevista e prevenida, por muito que na media corporativa insistam no contrário!

Para finalizar, caso queiram ter uma visão mais abrangente sobre o assunto, não posso deixar de aconselhar esta excelente reflexão sobre Portugal e a crise, feita por Miguel Urbano Rodrigues: AQUI.

Um pensamento sobre “Anotações pessoais sobre a Crise Sistémica Global

  1. Oi, obrigado pelo reality check.

    Há uma veia catastrofista neste tipo de previsões – independemente da sua fundamentação – que há cerca de ano e meio, dois anos me fazia negligenciar os avisos. Também estes sentimentos e “intuições” fazem parte da batalha ideológica, ou a confiança não seria um instrumento nas nossas economias desmaterializadas, uma preocupação do governo.

    Por outro lado… “o que fazer?” É que estes momentos de crise são também uma janela de oportunidade para alargar a frente de luta e a sua base social, para fazer da citada tomada de consciência da crise mais do que um indicador à nossa actuação como “agentes racionais de mercado”. E é aí que me revejo muito mais nas perspectivas discutidas durante o congresso do PCP e na anterior Conferência nacional. Ou pelo menos entusiasmo-me (lutar é a conquista da felicidade!) e venho logo com a propaganda…

    Mas para tentar voltar à conversa, uma vez que se trata de teoria económica, recentemente estive a ler um livro dum professor, Avelã Nunes, acerca do neoliberalismo enquanto construção política e ideológica, quando vinha sendo erigida em ciência económica exacta e infalível. O livro é de há 3 ou 4 anos e tem a pecularidade de utilizar um arsenal que vai de Marx a Keynes contra o neoliberalismo, argumentando a partir duma posição sustendada moral e economicamente. Ok, isto está a pedir um post (mais promessas…), mas o que é interessante é ver como esse livro, autêntico libelo contra o liberalismo, parecerá aos nossos olhos já algo desactualizado. E o mesmo não posso dizer sobre as teses do XVII (não falta 3º I)…

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