Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2)

Este post é a continuidade do anterior publicado.

A que se propõe?

O marxismo propõe-se a responder a questões relacionadas sobre natureza e humanidade, incluindo questões sobre:

  • A origem da energia ou movimento na natureza;
  • As razões pelas quais galáxias, sistema solar, planetas, animais e todos os reinos da natureza constantemente aumentar em quantidade;
  • A origem da vida, das espécies, da consciência e da mente;
  • A origem da ordem da sociedade e da sua direcção; e
  • O fim da história e do que pode ser parecido como tal.

Marx e Engels responde a todas estas questões, utilizando as três leis do movimento, ou seja, da dialéctica, descoberto pela primeira vez pelos filósofos gregos e, mais tarde, codificadas por Hegel. Essas três leis são descobertas no interior da Natureza em vez de ser sobreposta sobre ela.

A lei da unidade e conflito de opostos

Marx e Engels começou com a observação de que toda a existência é uma unidade de opostos. Por exemplo, a electricidade é caracterizada por uma carga negativa e positiva, e os átomos consistem em protões e electrões,  que estão unificados, mas  em última instância, são forças contraditórias. Os seres humanos através de introspecção descobrem que são uma unidade de qualidades opostas: masculinidade e feminilidade, egoísmo e altruísmo, humildade e orgulho, e assim por diante. A conclusão marxista sendo que tudo “contém duas reciprocidades, exclusivas e incompatíveis, mas no entanto, partes ou aspectos igualmente essenciais e indissociáveis”. O conceito base é que esta unidade dos opostos na natureza faz cada entidade ser-se auto-dinâmica, e proporciona este constante motivo para movimento e mudança. Esta ideia foi emprestado de Georg Wilhelm Hegel, que disse: “Contradição na natureza é a raiz de todo movimento e de toda a vida.”.

A Lei da Negação da Negação

A lei da negação foi criado para dar conta da tendência de natureza aumentar constantemente em quantidade todas as coisas. Marx e Engels demonstraram que as entidades tendem a negar-se, a fim de antecipar ou reproduzir uma maior quantidade. Isto significa que a natureza da oposição que gera conflitos, em cada elemento e lhes dá movimento tende também a negar a coisa em si. Este processo dinâmico de nascimento e destruição é o que provoca às entidades evoluir. Esta lei é comummente simplificada como o ciclo de tese, antítese, e síntese.

Na natureza, muitas vezes Engels citou o caso das sementes de cevada que, no seu processo natural, quando germinam negam-se produzindo uma planta; a planta cresce até o seu vencimento, por sua vez, e é por si só depois negada tendo muitas sementes de cevada. Assim, toda natureza está em constante expansão através de ciclos.

Em sociedade, temos o caso da classe. Por exemplo, a aristocracia foi negada pela burguesia; e de seguida a burguesia criou o proletariado que, um dia, lhes negará. Isto demonstra que o ciclo da negação da negação é eterno, já que a entidade gerada transporta consigo o seu próprio coveiro, ie, transporta consigo a sua própria negação.

A lei da passagem das mudanças quantitativas em qualitativas

Esta lei estabelece que o continuo desenvolvimento quantitativo resulta em “saltos” qualitativos, no qual uma forma ou entidade completamente nova é produzida. Isto é como o “desenvolvimento quantitativo torna-se mudança qualitativa”. Permite a reciprocidade, em que transformação de qualidade afecta a quantidade.

Esta teoria desenha muitos paralelismos com a teoria da Evolução. Filósofos marxistas concluíram que as entidades que, através de acúmulos quantitativos, são inerentemente capaz de “saltos” qualitativos. A lei demonstra que, durante um longo período de tempo, através de um processo de pequenas e quase irrelevantes acumulações, a natureza desenvolve perceptíveis mudanças de direcção.

Isto pode ser ilustrado pela erupção de um vulcão, que é causada por anos de criação de pressão. O vulcão pode já não ser uma montanha, mas quando esfria a sua lava tornar-se-á terras férteis onde anteriormente não havia nenhuma. Uma revolução que é causada por anos de tensões entre facções opostas na sociedade funciona como uma ilustração social. A lei também ocorre em sentido inverso, exemplificando:  através da introdução de melhores ferramentas agrícolas (mudança de qualidade), essas ferramentas irão ajudar no aumento do montante do que é produzido (alteração da quantidade).

As próximas inserções serão transcrições do Anti-Dürhing, constatando com vários exemplos estas leis na realidade.

5 pensamentos sobre “Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2)

  1. Belo Blog, para quem “não nasceu para isto”, o único reparo é o elitismo na escolha dos blog de referência, gente que não olha para baixo não tem idonéidade de pertencer, sequer, aos QTI.

    Coerência e menos aproveitamento.

    A revolução é hoje!

    (como todos os Dias)

  2. Esclarecimento:
    A seguinte sentença não visa os autores deste blog: “gente que não olha para baixo não tem idonéidade de pertencer, sequer, aos QTI.

    Coerência e menos aproveitamento.”

    Sendo mais concreto, opino que o blog “tempo das cerejas” é da autoria de alguém muito pouco coerênte, um individuo que, à semelhança dos be’s, defende um posicionamento demasiado académico para se constituir defensor dos trabalhadores, impedindo o acesso à informação, de forma consciente, àqueles que, não sendo um meio reservado à burguesia – mais agora com esta distribuição de “Magalhães” – apostam por se manter na vanguarda da tecnologia, em sintonia com as suas convicções politicas.

    No relativo ao Xatoo, considero-o um bom blog mas, quase monotemático, o qual, prescindindo do seu estatuto, da mesma forma que Cunhal, utiliza um código acessível à maioria dos inquietos que o visitam. Compartindo a acção com este bloguer desde 2005, lamento que mantenha uma defesa militante; pouco conciliadora com outras forças, do PCTP-MRPP.

    Assim, não havendo sido indigitado para vos transmitir qualquer consideração pessoal sobre outros bloguer, sem sequer me considerar detentor de qualquer verdade absoluta, penso ser importante expressar o sentimento que, aliado à benvinda obrigatória a vozes como as vossas, a maioria dos Marxistas/Leninistas, com os quais comparto um espaço cada vez mais amplo neste meio, preconizam.

    Por outra parte, e concluindo, assumindo que ambos sejam pessoas com “muito trabalho”, espero que esta tentativa de esclarecimento, com base no critério muitos assumidos comunistas – sem ansias de protagonismo ou sindroma de trepadeira – não vos impeça reiterar as vossas opções concernentes às citadas escolhas.

    A revolução é hoje!

  3. @Sérgio Ribeiro: visitas destas são uma honra!

    @CRN: os blogs referidos são da responsabilidade dos autores. Pela nossa parte, achamos que são interessantes de consultar e é essa a razão de ser dos links. Não estamos obrigados a endossar tudo o que por lá se escreva, obviamente.
    Também não me considero detentor da verdade absoluta e comento só o suficiente que o estudo me permite. Pouco? “Muito trabalho”, muita opressão. Mas com algum cuidado na expressão escrita, julgo.
    Vou visitar o seu blog mais vezes: talvez o venha linkar.

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