Marx para principiantes

O grupo deste blog escolheu o Anti-Dühring para ler, mas claro que nunca estaremos limitados à leitura de uma só obra, e individualmente acabamos por nos perder por outros livros ou artigos pela net ou imprensa fora.

Ora, nestes dias enquanto era montado o blog, li um livro de Rius chamado: Marx para principiantes. Rius com este livro propôs-se a resumir, com enorme humor, a teoria de Marx em banda desenhada: “um sacrilégio”.

O livro começa por resumir o percurso de vida de Marx, faz de seguida um resumo da história da filosofia, e termina expondo o essencial da teoria de Marx.

E é mais ou menos assim que Rius nos conta a historia da vida do Carlos:

Quem foi Karl Marx?

Carlos Marx foi um filósofo judeu-alemão que viveu entre 1818 e 1883. É acusado de ser o “inventor” do Comunismo: portanto, o anti-cristo!.

O velho cabeludo tinha montes de interesse, não fosse ele ter algo a dizer a toda a gente: não houve qualquer mudança importante nos últimos cem anos que não devesse alguma coisa à influência do camarada Carlos…

Economia, literatura, viagens espaciais, artes, história, relações humanas, o Vaticano, os sindicatos, revoluções mudanças sociais, educação, medicina, indústria, agricultura, jornalismo… em toda a parte encontramos um ou dois cabelos de Karl Marx. Afinal, cabelo não lhe faltava.

A sua influencia é tal, que hoje divide-se a opinião sobre ele: ou se adora, ou se odeia. Sim, ainda hoje há quem queira manda-lo para a cova.

Resumindo então a vida dele:

O pai era um advogado rico, e o puto Marx seguiu o curso da moda: Direito. Começou o curso em Bona, mas depois foi para Berlim; (os motivos da mudança de Bona para Berlim são para maiores de idade, passemos à frente!). Quis voltar para Bona para ser professor na universidade, mas não o aceitaram: em Berlim tornara-se ateu e subversivo! Já mandei a piada do anti-cristo?

A universidade de Berlim estava num tremento alvoroço de ideias novas, onde as explicações religiosas do Homem e do universo eram contestadas e os pensadores andavam em busca doutras respostas para as questões de sempre:

  • Quem é Deus?
  • Que é o Homem?
  • Para que vivemos?
  • O que é a vida?

Marx, para tentar responder a estas questões ou talvez para irritar o Pai, começou a estudar filosofia.

Hegel

Hegel (não confundir com Engels) parecia ter encontrado respostas para as grandes questões, e os filósofos alemães gravitavam em sua volta. Marx inicia-se a estudar as ideias de Hegel.

Immanuel Kant (o grande predecessor de Hegel) argumentava que era impossível supor a existência de Deus, mas que nenhum sistema poderia prová-lo. Enquanto Hegel apresenta um sistema de panlogismo… Sintetizando:

  • Kant separa a ciência da religião…
    “A razão está constantemente a evoluir na história, em direcção de uma meta absoluta.”
  • Hegel pretende fazer da religião uma espécie de ciência…
    “É na organização do Estado que o divino participa no real.”

O que prendeu a atenção de Marx foi a filosofia da historia de Hegel. Segundo este, o processo da humanidade efectua-se unicamente através de conflitos, de guerras e revoluções, ou seja, a luta dos oprimidos contra os agressores. A paz e a harmonia não conduzem ao progresso.

Ele referia-se à luta religiosa, ao conflito “espiritual”, e não à luta social. E quando morreu, surgia também por esta altura os termos “esquerda” e “direita”, havendo então os hegelicanos de direita e de esquerda. Os primeiros defendiam o lado espiritual e conservador, enquanto os segundos o lado progressista de Hegel.

Feuerbach é um partidário da esquerda hegeliana, e nega a origem sagrada da autoridade régia. Marx concorda com ele, não fosse ele o… já mandei a piada do anti-Cristo, certo?

Marx, filosofo e jornalista

Marx ultrapassa os seu mestre! É mais radical, tem ideias mais claras e práticas que os hegelicanos de esquerda. É um homem da teoria mas também da prática.

Para evitar que o bla bla bla filosófico o deixa-se neurótico, aceita um lugar na “gazeta Renana” em 1842. Teve tamanho impacte na redacção que tornou-se rapidamente chefe de redacção. O jornalismo político nasceu com Marx: difundia ideias, criticava o mau governo e mostrava a miséria do povo… levava à pratica e aos humildes as ideia dos filósofos que antes se limitavam a teorizar… e com os artigos sobre a situação dos camponeses inventou a reportagem documental… (pelo menos é o que diz o livro)

Paris, Je t’aime!

O nosso Carlão também era um romântico… (esta é a parte morangos da historia)… casou-se em 1843 com uma aristocrata prussiana ligada ao governo ultra-reaccionário… (tragam as pipocas)… e sem dinheiro nem trabalho, mudam-se para Paris onde aceita um novo lugar como editor duma revista radical. Participou colaborou em todos os números da “anais franco-alemães”… saiu só um número!

Em paris torna-se ainda mais radical, fruto da interacção com as ideias francesas (de Blanc, Proudhon e Leroux) e com anarquistas russos Botkin e Bakunine… E inicia o estudo das teorias económicas dos ingleses Adam Smith e David Ricardo.

Friedrish Engels

Marx e Engels conheceram-se quando este ultimo visitou a “Gazeta Renana” em Colónia. Engels escrevera em 1845 o “A situação das classes trabalhadoras em Inglaterra”; e já antes Marx tinha ficado impressionado com um artigo que Engels escrevera para os “Anais…”. Tornaram-se amigos íntimos e decidiram trabalhar juntos.

Marx era odiado e perseguido pelo governo prussiano que pressionou a França a expulsa-lo. Mudou-se para Bruxelas onde foi também expulso. Voltou à Alemanha durante a revolução de 1848 e com Engels funda “A Nova Gazeta Renana”. Os dois também participam numa sociedade secreta chamada “liga dos comunistas” onde criam o «Manifesto do Partido Comunista»; que resultou em inúmeras revoluções… MENTIRA MENTIRA!, eu é que me emocionei ao referir o Manifesto… em boa verdade, os 1000 exemplares distribuídos a operários não provocou grande sensação, mas com o passar do tempo… tornou-se um dos maiores acontecimentos da história da humanidade.

Anda um espectro pela Europa – o espectro do Comunismo. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e polícias alemães.
Onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários no governo como comunista, onde está o partido de oposição que não tivesse arremessado de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reaccionários, a recriminação estigmatizante do comunismo?

inicio do Manifesto Comunista, de 1848.

Em 49 é expulso como individuo sem nacionalidade,  e é assim como “cidadão do mundo” que se exila em Londres.

Londres

Em Londres Marx e sua família vivem na miséria e três dos seus filhos morrem por falta de medicamentos. Seus escritos não eram muito populares, tirando alguns exilados alemães e meia-dúzia de intelectuais.

Passou os últimos 25 anos a trabalhar nos três volumes de «O Capital», mas só completou o primeiro. Engels organizou e e concluiu os seguintes de acordo com os manuscritos deixados por Marx.

Passou os seus últimos anos doente, sofrendo de… dores de cabeça, depressões, insónias, hemorróidas, furúnculos, debilidade nervosa, pleurisma, bronquite, tumor pulmonar… (é o que diz o livro!).

Morreu aos 65 anos.

4 pensamentos sobre “Marx para principiantes

  1. Que post tão extenso, confesso que não esperava na abertura das hostilidades.
    Gostei de saber, pelo link, que o Rius ainda estava activo: dele apenas li o “Lenine para principiantes”, numa edição muito verão quente. Não descreveria o seu estilo como BD, mas antes como ilustração, uma vez que o carácter sequencial dos desenhos é preterido no seu discurso.
    Quanto à vida de Karl Marx, também teria que ir buscar à minha “pequena biografia” de referência – fica para outro post, prometo. (Aliás, surge a questão de como ligar posts entre si, nesta plataforma de discussão.) No entanto, gostaria de discordar que a Liga dos Comunistas fosse uma organização secreta: é o próprio texto do Manifesto que indica estarem ali os comunistas de peito aberto, a sua doutrina ali chapada. E isto à parte a evolução do próprio pensamento de Marx que, como tu dizes, ainda não tinha estudado a fundo a economia política inglesa e daí proposto a teoria da mais-valia…
    Opah, e como passar em claro aquela que foi a luta política de Marx?! O seu envolvimento com o operariado, a Associação Internacional de Trabalhadores, a sua leitura de acontecimentos contemporâneos (as revoluções de 1848, a Comuna), o combate aos anarquistas e aos socialistas utópicos! Marx não foi só um grande teórico e revolucionador do pensamento – como tu referes, é uma referência sempre presente daí para a frente -; Marx foi um revolucionário exemplar, alguém que soube precisar a prática social como a mudança da sociedade e de si mesmo…

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