Leitura Capital

Aqui a Mais-Valia é a leitura

Arquivo de Dezembro, 2008

Harold Pinter (1930-2008)

Publicado por Bruno em 26 Dezembro, 2008

“Em 1985 escrevi:
‘Não existe uma verdadeira distinção entre o que é real e o que é irreal, nem entre o que é verdadeiro e o que é falso. Uma coisa não é necessariamente verdadeira ou falsa; pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo’.

Creio que estas afirmações continuam válidas e se aplicam à exploração da realidade através da arte. Portanto, enquanto escritor defendo-as mas enquanto cidadão não posso fazê-lo. Enquanto cidadão tenho que perguntar: O que é que é verdadeiro? O que é que é falso?…”

Harold Pinter, «Arte, Verdade e Política», em 2005

Seu discurso «Arte, Verdade e Política» aquando a entrega do Nobel:

Ver o vídeo, aqui.

Transcrição do discurso em inglês e em português.

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Anotações pessoais sobre a Crise Sistémica Global

Publicado por Bruno em 22 Dezembro, 2008

Era ainda inícios de 2007 quando fui prevenindo as pessoas que me são próximas da aproximação de uma provável grande depressão económica.

Não sendo economista, sendo péssimas as notícias que transmitia, e sendo elas contrárias ao que os média e políticos do sistema diziam, poucos me deram a atenção devida. Para essas pessoas a que preveni de tal situação, não havia evidências de que eu pudesse ter razão, e a vida parecia-lhes correr como de costume.

Injecções de capital pelo BCE de 2000 até Março de 2008

A desinformação em que as pessoas no geral estão foi notória quando desde Fevereiro  fazia referencia à nacionalização no Reino Unido de um grande banco como sinal da crise, quando fazia referencia a enormes injecções de capital no sistema financeiro, e elas nada sabiam. Essa desinformação continua, permanecendo a ocultação das futuras consequências da crise. E a procissão ainda vai no adro.

Agora, que já não dava para ocultar o que “já” é público, e não há dia na media em que não se referencie acontecimentos relacionados com a crise, as nacionalizações (dos prejuízos) e as enormes injecções de capital já não são novidade. As mesmas pessoas que preveni, tomaram consciência que tinha razão, e agora frequentemente perguntam a minha opinião!

Não sou economista. Então como fui capaz de prevenir, os meus próximos, com dados tão certeiros das consequências e timings desta crise? Apenas me informei através de media alternativa, e sobre esta matéria foi de elevado interesse e importância os relatórios publicados em Resistir.info do GEAB.

Sei que a maioria passará à frente dos links acima colocados, mas recomendo que leiam sem falta o mais recente relatório público do GEAB, que transcrevo o início:

O LEAP/E2020 prevê que em Março de 2009 a crise sistémica global venha a experimentar um novo ponto de inflexão de uma importância análoga ao de Setembro de 2008. Nossa equipe considera com efeito que este período do ano de 2009 será caracterizado por uma tomada de consciência geral da existência de três importantes processos desestabilizadores da economia mundial, a saber:

1. A tomada de consciência da longa duração da crise
2. A explosão do desemprego no mundo inteiro
3. O risco do colapso brutal do conjunto dos sistema de pensão por capitalização.

inicio do relatório público do GEAB

Esta crise foi prevista e prevenida, por muito que na media corporativa insistam no contrário!

Para finalizar, caso queiram ter uma visão mais abrangente sobre o assunto, não posso deixar de aconselhar esta excelente reflexão sobre Portugal e a crise, feita por Miguel Urbano Rodrigues: AQUI.

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“Domingo” – Manuel da Fonseca

Publicado por Luiz Esteves em 14 Dezembro, 2008

Quando chega domingo,
faço tenção de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.

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Resolvendo dúvidas

Publicado por Bruno em 8 Dezembro, 2008

Googlei o termo Anti-Dühring dentro do site do PCP, dando com um artigo publicado no «O Militante» com o título: «Engels morreu há 120 anos – O Militante lembra Engels no aniversário da sua morte». Aí é reproduzido um texto de Lenine sobre a vida de Engels, cuja leitura recomendo.

Sobre a Liga dos Comunistas

No post Marx para Principiantes em que resumi, através do livro de Rius, a vida de Marx, disse que:  “Os dois também participam numa sociedade secreta chamada “liga dos comunistas” onde criam o «Manifesto do Partido Comunista»”. Luiz comentou, levantando-se dúvidas sobre se tal liga teria sido secreta.

O texto de Lenine supra-referido possibilita-nos de resolver tal dúvida. Passo a transcrever:

De 1845 a 1847 Engels viveu em Bruxelas e em Paris, aliando os estudos científicos com uma actividade prática entre os operários alemães destas duas cidades. Foi aí que Marx e Engels entraram em contacto com uma associação secreta alemã, a Liga dos Comunistas, que os encarregou de expor os princípios fundamentais do socialismo elaborado por eles. Assim nasceu o célebre Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, publicado em 1848. Este pequeno livrinho vale por tomos inteiros: ele inspira e anima até hoje todo o proletariado organizado e combatente do mundo civilizado.

Parece-me fazer todo o sentido que tal organização terá deixado de ser secreta aquando a publicação do Manifesto.

Mais ligações:

  1. Liga dos Comunistas, em Dicionário Político do MIA
  2. A criação da Liga dos Comunistas

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Capítulo: Dialéctica – em Anti-Dühring

Publicado por Bruno em 2 Dezembro, 2008

Este post apresentará alguns exemplos da aplicação da Dialéctica. Para uma melhor compreensão sobre o tema, aconselho a (re)ler o post Materialismo Dialéctico: Leis da Dialéctica (2).

O capítulo Dialéctica: Quantidade e Qualidade, começa com a perspectiva de Dühring sobre a Dialéctica. Engels resume numa frase essa perspectiva: “a contradição é o absurdo e que, portanto, não pode se dar no mundo da realidade.”. Refutando esta perspectiva, Engels parte – entre outras considerações – para uma série de exemplos onde demonstra a Dialéctica.

Na Matemática

…o cálculo diferencial (…) equipara, em certas circunstâncias, as rectas às curvas

E uma pequena frase bastou para refutar a tese de Dürhing. Que mal estariam os matemáticos se tivessem o bom senso de Dühring!

O Movimento

O próprio movimento, por si mesmo, é uma contradição; o deslocamento mecânico de um lugar para outro somente pode ser realizado por estar um corpo, ao mesmo tempo, no mesmo instante, num e noutro lugar; e também pelo fato de estar e não estar o corpo ao mesmo tempo no mesmo local. A sucessão continua de contradições desse género, ao mesmo tempo formadas e solucionadas, é precisamente o que constitui o movimento.

E, se o simples movimento mecânico, a simples mudança de um para outro lugar, contém uma contradição, suponha-se então a série de contradições que estarão contidas nas formas superiores de movimento da matéria:

Na Vida

…a vida consiste, precisamente, essencialmente, em que um ser é, no mesmo instante, ele mesmo e outro. A vida não é, pois, por si mesma, mais que uma contradição encerrada nas coisas e nos fenômenos, e que se está produzindo e resolvendo incessantemente: ao cessar a contradição, cessa a vida e sobrevem a morte.

No Pensamento

…no domínio do pensamento, não podemos escapar às contradições e que, por exemplo, a contradição entre a faculdade humana de conhecer, interiormente infinita, e a sua existência real nos homens que são exteriormente limitados e cujo conhecimento é limitado, resolve-se na série de gerações, serie que para nós, não tem praticamente fim – pelo menos num infinito progresso.

Na Matemática (mais uma vez)

Uma outra contradição das matemáticas superiores é a que se observa quando se cruzam duas linhas; estas, na distância de cinco ou seis centímetros do ponto de intersecção, se tornam linhas paralelas, que, por mais que se prolonguem, até o infinito, não se hão de encontrar.

Terminemos, por agora, com estas últimas considerações de Engels:

Não nos é necessário, todavia, sair dos quadros limitados destas matemáticas inferiores, para encontrar contradições em todos os terrenos. Não há uma contradição, por acaso, no fato de que uma raiz de A seja uma potência de A, e ainda que A½ = √A? Não há uma contradição no facto de que uma grandeza negativa não possa ser o quadrado de nenhuma outra, embora toda grandeza negativa multiplicada por si mesma dê um quadrado positivo? A raiz quadrada de menos um (-1) é, pois, não somente uma contradição, mas simplesmente uma contradição absurda, um verdadeiro contra-senso. Entretanto, é, em muitos casos, o resultado necessário de uma operação matemática exacta; e mesmo, onde estariam as matemáticas, tanto as elementares como as superiores, se lhes fosse proibido operar com a raiz quadrada de menos um?

As duas versões que possuo do livro são traduções que deixam muito a desejar, sendo por vezes quase impossível perceber o que deveriam ter escrito. Com a ajuda desta versão em inglês, e com os conhecimentos em matemática que tenho, julgo ter melhorado as traduções acima citadas. Não dominando os conceitos acima transcritos, agradeço a quem tenha correcções ou algo mais a acrescentar.

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